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A “diabolização” das benzodiazepinas

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fotografia da Dra. Joana Rosa Martins

Dra. Joana Rosa Martins

Assistente Hospitalar de Medicina Interna | ULS de Santa Maria – Hospital de Santa Maria

As benzodiazepinas foram introduzidas no mercado em 1960, sendo rapidamente difundidas e amplamente prescritas, uma vez que eram um fármaco mais seguro no que dizia respeito ao risco de depressão respiratória e efeitos cardiovasculares, quando comparadas por exemplo com os barbitúricos.

A sua ação interfere com o ácido gama-aminobutírico (GABA) que é o principal neurotransmissor inibidor no sistema nervoso central, levando a uma redução da excitabilidade neuronal.  Têm efeitos ansiolíticos, hipnóticos, anestésicos, anticonvulsivantes e relaxantes musculares, sendo também úteis na abordagem à síndroma de abstinência alcoólica.

Embora se mantenham como uma das classes farmacológicas mais prescritas no mundo, principalmente pela sua eficácia e perfil de segurança, não são fármacos isentos de risco podendo ocorrer fenómenos de tolerância e dependência. Os erros na prescrição, nomeadamente a sua utilização off label ou demasiado prolongada no tempo, promoveram um aumento exponencial do consumo e do número de casos de abuso medicamentoso, que culminou na sua “diabolização”, o que faz por vezes esquecer os seus reais benefícios e as suas características positivas que as tornaram populares durante tantos anos.

Do conhecimento aprofundado das diferentes propriedades farmacocinéticas das várias benzodiazepinas, surge o suporte à prescrição adequada, uma vez que estes fármacos mantém o seu papel desde que a prescrição seja criteriosa, cumprindo as normas de orientação e a melhor evidência disponível à data.

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